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A existência de mais ferramentas de comunicação com os utentes e a interoperabilidade entre os vários sistemas de informação são dois pontos essenciais para os Cuidados de Saúde Primários. Esta foi uma das principais conclusões do workshop, que decorreu no dia 26 de Outubro.

Apesar das melhorias, os vários especialistas que participaram no workshop realçaram que se está a ir pelo «bom caminho», mas ainda há muito trabalho a fazer. Um trabalho que deve envolver todos os intervenientes no sistema, como as administrações regionais de saúde (ARS), a Administração Central dos Sistemas de Saúde (ACS), os Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES), a Entidade Regional de Administração (ERA), entre outros.

O evento teve início com a apresentação de sistemas de informação para o médico e para o enfermeiro, com José Cabrita, Coordenador da Unidade de Saúde Familiar (USF) Quinta da Lomba e com Manuela Oliveira Lima, Enfermeira na USF S. Domingos de Gusmão. Ambos concordaram que os sistemas de informação trazem mais-valias aos profissionais e aos utentes. A Directora do ACES Oeste Norte, Teresa Machado Luciano, foi a moderadora da sessão e também defenda uma aposta cada vez maior nos sistemas de informação na modernização das unidades de Cuidados de Saúde Primários.

No workshop foram ainda debatidas quatro questões sobre a temática. Estas foram as respostas.


1ª Questão
Todos estamos de acordo que a acessibilidade é fundamental. Indique 3 factores que, no âmbito dos Sistemas de Informação (SI), podem melhorar esta acessibilidade.

Acessibilidade dos profissionais: formação dos profissionais, SI mais user friendly,
informação actualizada sobre os utentes, comunicação dentro da equipa;
Acessibilidade do utente: mais serviços e informação disponibilizados via portal (renovação do receituário crónico, marcação de consultas, acesso a prevenção de saúde), acessibilidade local (quiosque de gestão do atendimento);
Comunicação entre o sistema de saúde e o utente: disponibilizar informação de forma a permitir aos profissionais de saúde terem uma atitude pró-activa (ex: convocatória de utentes rastreios oncológicos, 1ª consulta da vida), comunicação via SMS.

2ª Questão
Existem vantagens/desvantagens dos SI no que respeita à mobilidade dos profissionais de saúde? Indique 3 dessas vantagens/desvantagens.

VANTAGENS
Facilitação de recolha e tratamento de dados;
Informação legível para qualquer profissional / intersubstituição (há sempre um profissional para atender o utente);
Manutenção no sistema da informação clínica do utente sempre que o seu médico muda de unidade de saúde;
Permite rapidamente o acesso remoto a informação em qualquer local de prestação de cuidados;
Solução que disponibilize informação e a possibilidade de registo no acto clínico no domicílio do utente;
Facilita a integração de novos profissionais;
Facilita a formação e investigação.

DESVANTAGENS
Preocupação com segurança;
Dificuldades na transferência de dados entre sistemas de comunicação em rede;
Perigo de haver dependência da tecnologia.


3ª Questão
No que respeita à informatização nos Cuidados de Saúde Primários,
identifique 3 áreas de intervenção prioritárias (administrativa e clínica).

Dados do Utente:
Efectiva implementação do RNU (Registo Nacional de Utente) e de Profissionais;
Informação actualizada dos dados dos utentes (Cartão do Cidadão, Cartão de Saúde);
Mais ferramentas de comunicação com utentes (ex: quiosque, módulo controlo de infecção, convocatórias);
Interoperabilidade entre os vários sistemas de informação.

Apoio aos Profissionais:
Desenvolvimento de um sistema informático de apoio a todas as outras Unidades Funcionais.

4ª Questão
Os actuais SI disponíveis na área de Cuidados de Saúde Primários dão resposta a uma eficiente governação clínica? Indique 3 motivos para a sua resposta.

Quem respondeu NÃO:
Inexistência de Intranet impossibilita a comunicação (ex: os inputs ascensionais não chegam à governação clínica);
O SIARS (sistema de estatísticas da ARS) não se encontra democratizado;
Inexistência de sistemas de base para USP/URAP, entre outros;
Do ponto de vista dos ACES, não há interoperabilidade.

Quem respondeu SIM:
Melhoria da informação e gestão clínica;
Melhoria do atendimento administrativo;
Melhoria na performance das unidades de saúde com implementação de boas práticas.

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Fernando João Rodrigues Comentário de Fernando João Rodrigues em 6 novembro 2009 às 19:25
Ao ler um artigo da Computerworld fiquei uma dúvida. Que é a seguinte. Fala-se de interoperacionalidade, num contexto laboral, em que se deixou de trabalhar de forma isolada, em que a Web e as redes de área local, são a base de novas formas de trabalho.

É fundamental que os sistemas de diferentes fabricantes possam colaborar entre si e que as TI e os processos de negócio sejam capazes de trocar dados e de facilitar a partilha de informação e de conhecimento. Estaremos perante um novo standard, ou seja, tecnologias centradas em processos de interoperacionalidade?

Por outro lado, a interoperabilidade sendo a capacidade de um sistema (informatizado ou não) de se comunicar de forma transparente (ou o mais próximo disso) com outro sistema (semelhante ou não), terá a mesma lógica de processos e serviços?

Talvez seja importante para que um sistema seja considerado interoperável que ele trabalhe com padrões abertos, seja através de um portal, um sistema de saúde ou uma plataforma electrónica para pagamento de impostos. Estamos a falar das mesmas coisas?

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