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Pensar hoje a saúde que queremos amanhã


Faltam apoios para se dar cuidados de saúde aos mais excluídos da sociedade. A ONG Médicos do Mundo (MdM) presta cuidados e estabelece a ponte com o Serviço Nacional de Saúde, mas precisa de mais verbas. O Director de Assistência Humanitária dos MdM, João Blasques de Oliveira, faz um balanço dos 10 anos da ONG em Portugal.Conheça os projectos da ONG e como pode ajudar no final da entrevista.


Que balanço faz destes 10 anos dos MdM?
Já demos apoio local na guerra do Iraque e do Afeganistão, para além de termos estado presentes na independência de Timor e no tsunami do Sri Lanka. A Guiné e São Tomé também são alvo da nossa ajuda. Nestes 10 anos houve um ganho nos apoios a projectos de desenvolvimento, nomeadamente na área materno-infantil e do HIV Sida.
A nível nacional também começámos a dar apoio na área da saúde e aumentámos as pessoas que trabalham na MDM. O número de projectos nacionais aumentou e temos acções em Lisboa, Porto e Évora. O nosso objectivo tem sido sempre o de ajudar as comunidades e grupos que têm dificuldade em aceder aos cuidados e estão em situações de exclusão social. Aliás, dentro da rede da MdM, só em Portugal se dá apoio à Terceira Idade.

Que tipo de apoio é que dão às populações?
Procuramos estar onde os serviços públicos não conseguem e tentamos abranger áreas e comunidades que, por razões diversas, não têm acesso a cuidados de saúde. Ressalvo aqui o facto de que nem sempre é fácil ter os profissionais de saúde envolvidos por terem muitas solicitações do privado e do público e não terem muita disponibilidade para dar apoio social. A nossa equipa ajuda ainda a nível psicossocial e como fazemos parte da rede de instituições sociais reencaminhamos os casos que são necessários e que devem ter resposta em instituições mais vocacionadas para o problema. No caso dos doentes fazemos também a referenciação para os serviços de saúde públicos. Aliás, temos uma relação cada vez mais próxima com estes serviços que reconhecem a credibilidade da MdM.

Quais são os grupos-alvo da vossa ajuda?
Os nossos grupos-alvo são pessoas da Terceira Idade, nomeadamente quando se encontram em condições de isolamento ou vivem em bairros e zonas alvo de exclusão social, sem-abrigo (portugueses e estrangeiros) e imigrantes, nomeadamente os que têm mais dificuldades em aceder a cuidados de saúde (legalizados ou não). A Educação para a Saúde é outra vertente do nosso trabalho. Por exemplo, temos um projecto desportivo em Évora que tem como objectivo educar os jovens a prevenirem-se das infecções sexualmente transmissíveis (IST).

Como é que a população pode ter acesso à vossa ajuda?
Há pessoas que vêm ter connosco, mas o habitual é haver um voluntário ou uma instituição que nos pede ajuda. Após estarmos no terreno, as pessoas também vão aparecendo. A boa relação que temos com as autarquias e os serviços de saúde também nos leva a quem está a precisar de ajuda. Exemplo disso é o projecto de Loures que envolve imigrantes e a comunidade cigana.

Quais são as maiores dificuldades que enfrentam?
É a questão financeira. A crise bateu à porta e houve uma descida significativa de apoio a ONG que poderá estar acima dos 50%. Além disso, as ONG não vêem a sua carga fiscal diminuir e não têm facilidade de aceder ao crédito. Não nos podemos esquecer que as ONG, hoje em dia, estão cada vez mais profissionalizadas. No caso da saúde temos de ter profissionais com conhecimentos, não nos podemos valer apenas da boa-vontade. É muito difícil conseguir médicos e enfermeiros para os nossos projectos. Estranhamente fala-se em 3000 enfermeiros desempregados, mas quando lançamos um anúncio ou aparecem menos de dez ou até nenhum.
Em termos internacionais também deveriam considerar os profissionais das ONG como agentes de cooperação, para que não tivéssemos problemas com vistos e autorização de permanência do território.

Quais sãos as perspectivas futuras?
Algumas perspectivas dependem da situação económico-social, mas o objectivo é continuar a dar o apoio que damos e abranger mais populações no país. É um bocadinho a ideia de que a caridade começa em casa. Em termos internacionais queremos expandir-nos para países que não sejam apenas PALOP e chegarmos, nos próximos dez anos, aos cinco continentes.


Projectos no terreno
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Internacionais


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