
Anda no ar um pré-aviso de grande calamidade: vai chegar depois do Verão um surto pandémico de gripe e que o mesmo irá ocasionar avultados prejuízos ao já debilitado PIB nacional.
E como as eleições estão à porta, receio que a mobilização do governo para estas questões possa passar para um segundo plano. Poderá não ser dada a atenção suficiente ou os meios necessários para que as organizações do Estado com a missão de prevenir e actuar nestas situações o possam fazer com eficácia.
Numa leitura ao último relatório de situação que publica a Direcção-Geral de Saúde, de 27 de Julho, a situação é bem clara. O Reino Unido é o país na Europa com o maior número de casos confirmados (mais de 11.000) e 30 mortes, seguido da Alemanha, com apenas 2.800 e nenhuma morte. Portugal apresenta 238 casos. Portanto, uma distância importante em número de casos separa o Reino Unido do resto dos países da Europa, o que mostra bem o papel de “charneira” que as ilhas britânicas têm entre a Europa e os Estados Unidos, a região do mundo com mais casos reportados (mais de 43.000) e 302 mortes.
Mas sendo a gripe A uma infecção com tão baixa mortalidade, o que é que há de tão impactante em relação a tudo isto que gera tantos sinais de alarme? Na realidade, a luta contra uma pandemia viral é provavelmente a luta contra o maior inimigo potencial da nossa espécie, depois do próprio homem. E esta é a mesma luta pela sobrevivência que caracteriza todas as espécies no nosso planeta.
Ao conseguir uma coordenação à escala planetária do combate à gripe, a humanidade dá mostras da sua união face a um fim comum e, em certo sentido, as organizações que têm a seu cargo esta luta testam entre si os procedimentos de comunicação e coordenação que serão essenciais no dia em que o vírus possa mutar para uma forma muito mais mortífera. E essa possibilidade existe, como todos sabemos.
Podemos dar-nos por satisfeitos de ter com a Gripe A uma espécie de um “ensaio geral” para aquilo que pode suceder quando ocorra uma pandemia por um vírus de elevada mortalidade. Devemos então agir como se o perigo fosse real e em cada casa, como em cada posto de trabalho, acatar os procedimentos de um plano de contingência para essa eventualidade.
E que o podemos fazer para essa contingência?
- Adoptar comportamentos seguros e de reforço de higiene e limpeza das mãos;
- Em caso de contágio ou de sintomas usar a linha Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) e seguir as indicações que são dadas antes de se dirigir a um estabelecimento de saúde;
- Finalmente, que cada empresa ou instituição desenvolva os seus própios planos de contingência.
Desde logo chamo aqui a atenção para o
micro-site da gripe da Direcção-Geral de Saúde, que apresenta um conjunto de informação muito valiosa e de leitura obrigatória para quem tenha pessoas a seu cargo. Cada organização pública ou privada deverá colocar uma resposta organizacional de contingência para fazer face a esta pandemia. Nesta luta prevenir é vencer.
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