Telemedicina: Ligação Além-Fronteiras: Resumo da sessão
A Telemedicina tem sofrido várias alterações ao longo destes anos. O Alentejo e Coimbra têm tido um papel fundamental nestes avanços.
Rosa Matos, Presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, esteve presente no Lunch&Learn de 31 de Janeiro e falou dos avanços que têm ocorrido ao longo destes anos na região. O desafio final é positivo. Com o avanço da telemedicina já é possível colmatar certos problemas do Alentejo que afectam inevitavelmente a saúde da sua população. Exemplo disso é a distância grande que existe entre a população e as unidades de saúde, a carência de médicos em várias especialidades e a sub-utilização de alguns equipamentos.
O projecto começou em 1998, mas hoje em dia já vai mais longe, havendo mesmo teleformação com a vizinha Espanha. Entre 2004 e 2007 não houve investimento, mas o ano passado, após uma candidatura ao POS_C, a situação alterou-se. O investimento permitiu a aposta na instalação de um arquivo digital de imagens clínicas, para além de se poder alargar a plataforma. Se em 1998 se fizeram 65 diagnósticos, o ano passado chegou-se aos 14.782. No total, entre 1998 e 2007, houve 60.161 diagnósticos em teleconsultas.
As vantagens são para todos: utentes, profissionais de saúde e instituições de saúde. No caso dos utentes houve uma diminuição do absentismo laboral de doentes e acompanhantes, redução da duplicação de exames e mais satisfação. No caso dos profissionais de saúde, as vantagens que mais se destacam são a formação permanente através da troca de experiências e a possibilidade de se obter melhor informação sobre os doentes. As instituições de saúde beneficiam, inevitavelmente, com todas estas melhorias, tendo-se registado uma redução dos custos de transporte e nas telecomunicações, assim como uma optimização dos recursos humanos e materiais e a redução das despesas associadas a consultas hospitalares.
O exemplo de Coimbra
Eduardo Castela é o director do serviço de Cardiologia Pediátrica do Hospital Pediátrico de Coimbra e também faz um balanço positivo. Os contactos com outros hospitais da zona Centro e Norte têm melhorado bastante o acesso da população a cuidados na área da cardiologia pediátrica. As ligações já chegam inclusive a Luanda. O alargamento da rede à CPLP é um dos desafios que o responsável tem neste momento. O objectivo não é apenas em termos de teleconsultas, mas também de teleformação. A troca de experiências é essencial para um médico. Na teleformação com os países da CPLP é possível dar formação a profissionais de outros países, mas também receber formação desses mesmos profissinais estrangeiros. A relação é sempre bilateral.
Olhando para os nove anos do projecto, Eduardo Castela apresentou como algumas conquistas a equiparação da teleconsulta à consulta presencial, a sua integração no horário de trabalho, a entrada nas portarias de facturação, assim como a possibilidade de haver comunicação em banda larga.
No final, oradores e plateia foram unânimes: os avanços foram muito positivos, mas há que continuar a inovar e alargar a rede.
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